STF garante renda a vítimas de violência doméstica: o que muda com o Tema 1.370

Tema 1.370 do STF: Renda para vítimas de violência doméstica
Tema 1.370 • STF • Violência Doméstica

STF garante renda a vítimas de violência doméstica

Decisão histórica do Supremo define que as mulheres resguardadas pelo Tema 1.370 do STF devem ter sustento financeiro assegurado de forma integral pelo Estado e empresas.

Lei Maria da Penha
INSS
LOAS
BPC e benefícios eventuais

Romper o ciclo da violência doméstica nunca é simples. Para muitas mulheres, a decisão de denunciar o agressor ou buscar proteção judicial esbarra em um medo concreto: o de perder a renda e não conseguir sustentar a própria vida ou a dos filhos. Com o entendimento fixado no Tema 1.370 do STF, essa realidade ganha um novo amparo jurídico protetivo nacional.

A dependência econômica é uma das barreiras mais silenciosas da violência doméstica. Em muitos casos, a permanência em uma relação abusiva não decorre apenas do medo físico ou emocional, mas da ausência de condições materiais para sair.

Foi nesse contexto que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Tema 1.370 da repercussão geral, consolidou uma resposta de grande impacto social: a mulher que precise se afastar do trabalho por ordem judicial para preservar sua integridade deve ter proteção financeira garantida.

A lógica da decisão é simples e poderosa: proteção sem sustento não é proteção completa.

O amparo financeiro estabelecido pelo Tema 1.370 do STF

No julgamento do Recurso Extraordinário nº 1.520.468/PR, que deu origem ao Tema 1.370 do STF, o Supremo Tribunal Federal firmou a compreensão de que o afastamento do trabalho previsto no artigo 9º, § 2º, II, da Lei Maria da Penha não pode significar abandono financeiro da vítima.

A Corte entendeu que a medida tem natureza cautelar e existe para preservar não apenas a integridade física e psicológica da mulher, mas também sua estabilidade econômica. Em outras palavras, a segurança da vítima passa, necessariamente, pela manutenção de sua fonte de renda.

Ponto central do leading case O juízo estadual pode determinar a medida protetiva com requisição de pagamento de prestação pecuniária em favor da vítima, ainda que o cumprimento material recaia sobre o INSS e, quando houver, sobre o empregador.

Afastamento remunerado baseado nas diretrizes do Tema 1.370 do STF

Para a mulher que possui vínculo formal de emprego, as regras do Tema 1.370 do STF definiram que a medida funciona em lógica semelhante ao auxílio por incapacidade temporária. A remuneração dos primeiros 15 dias fica sob responsabilidade do empregador. Após esse período, o INSS assume o pagamento do benefício.

A decisão também esclarece que esse afastamento configura hipótese de interrupção do contrato de trabalho. Isso significa que a relação empregatícia permanece ativa, com manutenção da remuneração e contagem de tempo de serviço.

  • Primeiros 15 dias: pagamento direto pela empresa contratante.
  • Período subsequente: pagamento mantido pelas agências do INSS.
  • Carência mínima: não é exigida nenhuma contribuição prévia para esse caso.
  • Vínculo trabalhista: permanece plenamente preservado.

Contribuintes individuais e o amparo do Tema 1.370 do STF

O alcance prático do Tema 1.370 do STF não se limita às empregadas com carteira assinada no regime CLT. O STF expressamente incluiu mulheres seguradas do Regime Geral de Previdência Social em outras subcategorias, como contribuinte individual, facultativa e segurada especial.

Quando não há relação direta de emprego, não existe figura do empregador para suportar os primeiros 15 dias. Nessa hipótese protetiva, o pagamento pecuniário é arcado integralmente pelo INSS desde o primeiro dia do afastamento decretado.

Exemplo prático

Uma profissional autônoma que contribui ao INSS pode receber a prestação integralmente pela autarquia previdenciária.

Impacto real

A decisão impede que apenas o emprego formal seja visto como fonte de sustento e dignidade.

O escopo protetivo do Tema 1.370 do STF

A expressão “vínculo trabalhista” deve ser interpretada de forma ampla e acolhedora, com a finalidade de proteger a integridade material da mulher contra os reflexos da violência sofrida.

Amparo assistencial regulado pelo Tema 1.370 do STF para não contribuintes

Este é o aspecto mais inovador e humano decorrente do Tema 1.370 do STF. O STF definiu que, se a mulher afastada não for segurada obrigatória nem facultativa da Previdência Social, a prestação financeira assume natureza puramente assistencial.

Isso atinge diretamente a realidade de milhares de trabalhadoras informais, diaristas sem registro e donas de casa. Nesses casos de vulnerabilidade social, o Estado deve prover assistência financeira na forma da Lei nº 8.742/1993, a LOAS.

Possibilidade expressa de amparo assistencial O leading case autoriza destacar a aplicação do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e de benefícios eventuais, desde que o juízo competente reconheça que a mulher não possui meios de prover a própria manutenção em razão do afastamento.

Passo a passo para requerer os direitos do Tema 1.370 do STF

Para acessar esse direito financeiro, o primeiro passo prático é a solicitação da medida protetiva de urgência nas esferas policiais ou judiciais competentes.

1

Relatar a violência na Delegacia da Mulher (DEAM) e pedir o afastamento do trabalho.

2

Solicitar expressamente o amparo de renda baseado no Tema 1.370 do STF.

3

Apresentar os documentos e aguardar a análise judicial em até 48 horas.

Referências Oficiais e Jurídicas

  1. Supremo Tribunal Federal. Jurisprudência sobre o Tema 1.370 do STF. Acesso em 2026.
  2. Presidência da República. Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006). Portal do Planalto.
  3. Ministério da Previdência Social. Diretrizes de auxílio-doença e carência do INSS.

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